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    October 30

    Felicidade Realista

    FELICIDADE REALISTA
    Por Mário Quintana

    A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o
    que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são
    ainda mais complexos.

    Não basta que a gente esteja sem febre: queremos,
    além de saúde, ser magérrimos, sarados,
    irresistíveis.

    Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a
    comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e
    uma temporada num spa cinco estrelas.

    E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos
    alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza
    e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar
    pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
    Queremos estar visceralmente apaixonados,
    queremos ser surpreendidos por declarações
    e presentes inesperados, queremos jantar à luz de
    velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem
    e diário, queremos ser felizes assim e não de outro
    jeito. É o que dá ver tanta televisão.

    Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de
    uma forma mais realista.

    Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo
    de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz
    com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro,
    feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo,
    principalmente quando se trata de amor-próprio.

    Dinheiro é uma benção.
    Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
    Não perder tempo juntando, juntando, juntando.
    Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.
    E se a gente tem pouco, é com este
    pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça,
    como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

    Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e
    aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar
    passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar
    sem almejar o eterno.

    Olhe para o relógio: hora de acordar.

    É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro
    o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem
    exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde
    só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não
    sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
    Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não
    está de acordo com as regras, demita-se.
    Invente seu próprio jogo.

    Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se
    esqueça de que a felicidade é um sentimento simples,
    você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não
    perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não
    sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca
    inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria,
    paixão, entusiasmo, mas não felicidade...